Parece uma fórmula matemática:
funcionário feliz + bom clima organizacional
= empresa produzindo
mais. Pesquisas mostram que um funcionário
feliz e motivado produz mais, e a empresa é
uma grande
colaboradora para que ele se sinta assim.
As empresas já perceberam que a sua produtividade
está diretamente relacionada com o bem-estar
de seus colaboradores. E para manter seus funcionários
produzindo, está valendo quase tudo: shows,
palestras, apresentações de teatro,
exercícios de alongamento, aulas de artes
marciais, sessões de massagem. "O efeito
é a longo prazo e estas iniciativas melhoram
o relacionamento entre os funcionários",
garante o gerente de comunicação do
Operador Nacional de Sistema Elétrico, Tristão
Alencar. "A mais recente atividade que realizamos
aqui na empresa foi uma peça teatral exibida
para cerca de 50 funcionários. Tratava-se
de uma comédia sobre preconceito, relação
entre trabalho e família e mudanças
de atitudes."
A IBM, por exemplo, oferece aos seus funcionários
um programa de motivação desde o início
de 2002, e tem notado um crescimento nos resultados
dos colaboradores e, conseqüentemente, da empresa.
"Criamos vários programas para motivar
nossos funcionários, entre eles o Star Bem,
que oferece aos colaboradores sessões de
shiatsu, consultas com nutricionistas e aulas de
ginástica matutinas, tudo para melhorar a
qualidade de vida dos funcionários",
conta Edmundo Fornasari, gerente de marketing da
empresa.
Este trabalho, chamado por alguns especialistas
da área de recursos humanos de endomarketing,
vem desbancando o sistema tradicional de gerenciamento,
e tem como principal objetivo privilegiar o ser
humano dentro da organização. Mas
para que ele funcione adequadamente, é necessário
levar em conta alguns aspectos diretamente relacionados
ao trabalho: o que fazer, como fazer e o que receber.
"Resumindo: seria mudar a rotina por meio do
trabalho em grupo, com o reconhecimento e a valorização
da gerência", explica o consultor de
Recursos Humanos Idalberto Chiavenato.
Deepark Chopra, um dos maiores experts em maximização
do potencial humano nos Estados Unidos, acredita que
"o fenômeno que desperta a consciência
para a liderança é o sucesso" e
que "a espiritualidade nas empresas pode ser
obtida quando o funcionário produz mais e com
mais prazer". Numa entrevista coletiva dada recentemente
à imprensa em sua vinda ao Brasil, Deepark
afirmou que a economia da empresa está diretamente
relacionada com a educação e a criatividade.
"E o combustível de tudo isso é
a motivação".
Os Benefícios da Motivação
Para Funcionários e Empresa
Marcelo Almeida é administrador de empresas
especializado em Recursos Humanos e Desenvolvimento
Humano, conferencista, diretor de Recursos Humanos
da Brasil Consultoria e do Instituto Marcelo de
Almeida Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida.
Foi contratado recentemente pela Fosfertil-Ultrafertil
para que todos os funcionários da empresa
e suas famílias sejam motivados nos quesitos
saúde e relacionamento profissional e pessoal.
"Instruir os funcionários sobre como
alcançar melhor qualidade de vida agrega
muitos benefícios às empresas. Os
colaboradores se sentem mais motivados, reconhecem
que a empresa está preocupada com seu bem-estar,
o que aumenta sua produtividade; há uma redução
de custos com relação às doenças
de trabalho; estreita-se o relacionamento interpessoal
dentro da empresa, facilitando processos; os funcionários
se sentem estimulados a buscar, em seguida, um maior
aperfeiçoamento profissional, o que acaba
revertendo numa equipe com melhor formação
profissional", explica Marcelo.
No caso desta empresa, trata-se de um programa de
promoção de saúde e qualidade
de vida, que visa ao bem-estar não só
dos colaboradores da empresa, mas também
de seus familiares. "Todos os nossos 2.500
funcionários e seus familiares participam
mensalmente de palestras motivacionais e, principalmente,
de atividades de sensibilização para
a busca do equilíbrio, da saúde, do
bem-estar e da harmonia familiar." Além
das palestras, a empresa oferece atividades esportivas,
brindes, mensagens, encontros e cursos. "O
programa foi elaborado e personalizado para as necessidades
da empresa, levando em consideração
uma série de pesquisas de cultura e clima
e as percepções de consultoria, de
recursos humanos e das assistentes sociais contratadas
para dar suporte ao programa." Os principais
temas abordados em 2002 foram auto-estima, relações
humanas, drogas, alcoolismo, estresse, esportes,
fumo e planejamento de vida.
Quando questionado sobre o motivo que está
levando as empresas a investirem cada vez mais na
qualidade de vida dos seus funcionários,
Marcelo levanta três justificativas:
1 – Um
profissional saudável e que sente bem no
seu ambiente de trabalho produz muito mais do que
aquele que não se sente bem. E esta produtividade
é tanto em termos qualitativos (melhor relacionamento,
atendimento ao cliente, clareza mental, comunicação,
motivação e confiança) como
em termos quantitativos (aumento de vendas, redução
de desperdícios e acidentes de trabalho).
2 – O
papel do departamento de recursos humanos de uma empresa
é atrair, desenvolver e reter talentos, e uma
empresa que não tem um ambiente favorável
tem o prejuízo de contratar, desenvolver e
no final perder o seu colaborador para outras empresas
que oferecem até as mesmas condições
financeiras, benefícios e desafios, mas que
vão além, oferecendo também um
clima onde a saúde a qualidade de vida dos
funcionários estão inseridas na cultura
da empresa.
3 – Uma
empresa que acumula estresse negativo acaba reduzindo
sua produtividade e perdendo dinheiro. Empresas
americanas perdem, por ano, cerca de 150 bilhões
de dólares com o estresse no trabalho, o
que inclui absenteísmo, "presenteísmo"
(estar na empresa com a cabeça em outro lugar),
desmotivação, doenças, afastamentos,
acidentes e conflitos interpessoais. Tudo isso mina
o resultado das organizações.
A saúde e a alimentação dos funcionários
são os benefícios que as empresas costumam
priorizar, o que pode ser feito de duas maneiras:
conscientizando os colaboradores de que a saúde
é um patrimônio de valor inestimável
e que a alimentação está entre
os 40% dos fatores que mais matam ou invalidam pessoas
em todo o mundo, segundo a Organização
Mundial de Saúde, e utilizando ferramentas
(palestras, cursos e técnicas) que dão
suporte psicológico e maturidade disciplinar
para mudanças de hábito.
Já para melhorar o relacionamento pessoal e
familiar dos colaboradores, uma das saídas
é o desenvolvimento da empatia, que nada mais
é do que a habilidade de se colocar no lugar
das outras pessoas, compreendendo-as e influenciando-as
com elegância e sutileza. Um bom relacionamento
se mantém com confiança, diálogo
aberto, sinceridade, integridade e ética.
Por: Ana Paula
Ruiz, jornalista responsável pelo jornal Carreira
& Sucesso.