Patrícia Rodrigues
Quando falamos em grupo de trabalho,
logo vem à nossa mente algo saudável
e que só produz bons frutos. Em parte é
uma grande verdade, os grupos dão bons frutos,
mas a relação entre os componentes
desses grupos é sempre saudável? Nem
sempre.
O grupo de trabalho é composto por personalidades,
anseios, sentimentos, perspectivas e culturas individuais.
Cada qual tem sua origem e de repente o integrante
se vê diante de uma dinâmica completamente
fora de seu cotidiano, de repente se está
diante da necessidade de se relacionar para obter
resultados, não somente organizacionais,
mas objetivos individuais. A verdade é que
nem sempre essa relação dá-se
de maneira harmoniosa.
As pessoas envolvidas nesse processo vêm a
acreditar e defender suas teorias fazendo com que
o trabalho em grupo, por muitas vezes, gere sentimentos
não harmoniosos para si próprias,
para o grupo e para a organização
em si.
Os sentimentos florescem e a não aceitabilidade
por todos, que é algo completamente normal,
acaba por gerar conflitos. Daí nasce o ódio
criado através da agressividade colocada
pelo indivíduo. Essa agressividade é
geralmente demonstrada pela comunicação:
falar, olhar, gesticular. Agressividade que por
muitas vezes torna "cegos" aqueles que
estão envolvidos no processo, gerando uma
série de conflitos, ataques pessoais e por
muitas vezes submissão negativa, ou seja,
ao mesmo tempo em que a agressividade faz pessoas
mostrarem sua cara, também faz pessoas esconderem-se
e se anularem. A passividade também como
a agressividade geram uma série de fatores
negativos a essa relação entre o grupo
de trabalho. Pessoas com grande potencial podem
tornar-se anuladas dentro do grupo por se calarem
em função de outros agressivos demais.
É necessário encontrar o equilíbrio
entre esses dois aspectos - agressividade e passividade
-, equilíbrio esse que deve ocorrer através
de algo bem comum de ser ouvido, a assertividade.
A assertividade está em os indivíduos,
dentro de seus grupos, saberem se expor de maneira
com que todos realmente escutem o que está
sendo dito. Fazendo com que discussões sejam
geradas sim, mas de uma maneira que os "frutos"
dessas discussões tragam enriquecimento pessoal
e agregação de valor para o grupo.
Quando é desenvolvida a assertividade é
possível ao mesmo tempo trabalhar as diferenças
individuais de comportamento, ou seja, todas as
emoções, as habilidades e as sensações
das pessoas que fazem parte do grupo. Saber o momento
da maior exposição e o momento da
menor exposição, saber a forma de
instigar as pessoas a se envolverem no processo
de uma forma que realmente todas as partes, pessoas,
grupo e organização, sejam beneficiados.
Saber fazer com que essa exposição
aconteça de forma objetiva, clara e sem ressentimentos.
É necessário quebrar o "tabu"
de que as relações de conflito entre
os grupos são totalmente prejudiciais, fazendo
com que esse tipo de atividade seja observada como
um período de aprendizado e renovação.
É claro que nesse momento, é de extrema
importância também o papel do gestor
de Recursos Humanos, para que haja a condução
e solução do conflito, pois dessa
maneira a real "essência" da situação
estará sendo extraída, para que assim,
seja aproveitada como forma de aprendizado em momentos
posteriores.
Nesse processo, o que se deve ser extraído
é o fato de que os grupos são sim
o maior potencial dentro das empresas, desde que
sejam conduzidos e desenvolvidos da maneira correta.
Caso contrário, dessa relação
não será "colhido bons frutos".
O desenvolvimento dos grupos deve acontecer como
um processo feito por etapas, mas que sempre leve
em consideração os desejos e anseios
dos integrantes, para que dessa forma TODOS sintam
realmente que fazem parte da dinâmica organizacional
e grupal.
Através desse processo, mesmo que se tenham
comportamentos que gerem conflitos, os indivíduos,
enquanto inseridos no grupo, terão a oportunidade
de observar os aspectos positivos das situações
provocadas pelos relacionamentos. E através
desses aspectos positivos, os "frutos"
citados anteriormente, estarão sendo colhidos
para que seja dado início a um processo de
aprendizagem inconstante, para que a organização,
o grupo e o indivíduo em si busquem sempre
a evolução diante das relações
do dia-a-dia.