Rute Paixão dos
Santos Oliveira
Acredito que primeiro a corporação
deva saber o motivo e qual o principal objetivo
de implantar a "gestão com pessoas",
e que seus superiores (donos, acionistas, gerentes,
diretores) - a tão chamada cúpula
- comprem esta idéia de verdade e que não
seja somente para "inglês" ver.
Estamos cansados de saber que toda empresa visa
lucro. Só que esquecemos ou não queremos
acreditar que os relacionamentos das pessoas nas
organizações podem e, na sua maioria,
são refletidos nos lucros, acelerando, diminuindo
ou até mesmo falindo uma empresa, pois antes
que qualquer tarefa estar pronta existe um relacionamento
seja ele entre colaborador/colaborador, cliente/colaborador,
colaborador/fornecedor, gerente/colaborador e assim
por diante.
Vamos imaginar esses colaboradores superinsatisfeitos
com a empresa onde desempenham suas funções,
pois a gestão com pessoas oferece um treinamento
com o objetivo de cumprir as metas tipo (já
capacitamos X funcionários), dando mais ênfase
às estatísticas do que ao principal
objetivo que é capacitação
do colaborador. E mais: a avaliação
de desempenho é vista de forma punitiva,
a política de cargos e salários fica
apenas no papel. A empresa não valoriza os
colaboradores ou o que é pior, não
retém seus talentos.
Isso tudo pode acarretar funcionários DESMOTIVADOS,
pois sabemos que a motivação depende
de indivíduo para indivíduo. Sabemos
também que Maslow defendia que era preciso
suprir as necessidades básicas do ser humano,
pois só assim ele poderia alcançar
a motivação. Ele defendia as classes
de necessidades que estão organizadas, segundo
os níveis de uma hierarquia.
Vamos deixar um pouco a teoria de Maslow de lado
e seguir em frente. Quem na realidade vai lidar
com toda essa DESMOTIVAÇÂO? O cliente
externo/interno e o fornecedor, lógico. E
quem não ouviu falar que o melhor comercial
é aquele realizado "de boca em boca".
Falo para algum conhecido que o serviço ou
produto "X" de uma empresa é ótimo
ou excelente, e são exatamente o cliente
e o fornecedor que irão levar uma imagem
agradável ou desagradável, ajudando
no sucesso ou no fracasso de uma organização.
James C. Hunter em seu livro "O Monge e o Executivo",
cita que as organizações ainda estão
usando velhos paradigmas na nova administração
de hoje. Ele faz uma analogia do estilo piramidal
de administração que é um conceito
herdado de séculos de guerra e dá
o exemplo das forças armadas, onde temos
o general no topo, com coronéis, seguidos
de capitães e tenentes, sargentos e, por
último, os soldados que dão frente
a frente com o inimigo:
Presidente = General
Vice-presidente = Coronéis
Gerentes intermediários = Capitães
e Tenentes
Supervisores = Sargentos
Empregado (colaborador) = Soldados
Cliente = Inimigo
Uma organização que segue este estilo
está fadada ao total fracasso na concorrência
global em que estamos expostos, pois o novo paradigma
é a valorização dos clientes
e isso só pode acontecer com os colaboradores
satisfeitos e MOTIVADOS, acredito.
Para que o cliente possa estar no topo, será
necessário o comprometimento da tão
chamada cúpula - citada anteriormente. É
interessante também que os colaboradores
possam sentir segurança na missão,
na visão e nos valores estabelecidos pela
empresa e que estes princípios não
estejam somente exposto nas paredes da organização,
mas com certeza atrelados à proposta de gestão
com pessoas, pois os colaboradores só vão
vestir a "camisa" tão solicitada
pelos seus superiores, quando eles se sentirem valorizados
de verdade. É preciso que esses valores sejam
demonstrados através de ações.
Porém, o mais importante de tudo isso é
a corporação enxergar a realidade
e se mobilizar para fazer gestão com pessoas
com seriedade, acreditando na inovação
e na mudança com sabedoria, transparência,
humildade e, é claro, acreditando no que
nosso grande educador Paulo Freire também
acreditava que nós, seres humanos, estamos
sempre em processo de aprendizagem e adaptação,
pois todo ser humano conhece alguma coisa e todo
ser humano desconhece alguma coisa. Se a corporação
é feita de pessoas, logo vamos investir no
capital humano, pois o retorno é garantido,
principalmente quando existem no quadro da cúpula
pessoas com visão sistêmica, foco em
resultados, criatividade e atributos de um forte
líder.
Boa Sorte! E uma sábia mudança!