Gestão com pessoas motivadas.
 
9 de Junho de 2006.     
 



Rute Paixão dos Santos Oliveira



Acredito que primeiro a corporação deva saber o motivo e qual o principal objetivo de implantar a "gestão com pessoas", e que seus superiores (donos, acionistas, gerentes, diretores) - a tão chamada cúpula - comprem esta idéia de verdade e que não seja somente para "inglês" ver.

Estamos cansados de saber que toda empresa visa lucro. Só que esquecemos ou não queremos acreditar que os relacionamentos das pessoas nas organizações podem e, na sua maioria, são refletidos nos lucros, acelerando, diminuindo ou até mesmo falindo uma empresa, pois antes que qualquer tarefa estar pronta existe um relacionamento seja ele entre colaborador/colaborador, cliente/colaborador, colaborador/fornecedor, gerente/colaborador e assim por diante.

Vamos imaginar esses colaboradores superinsatisfeitos com a empresa onde desempenham suas funções, pois a gestão com pessoas oferece um treinamento com o objetivo de cumprir as metas tipo (já capacitamos X funcionários), dando mais ênfase às estatísticas do que ao principal objetivo que é capacitação do colaborador. E mais: a avaliação de desempenho é vista de forma punitiva, a política de cargos e salários fica apenas no papel. A empresa não valoriza os colaboradores ou o que é pior, não retém seus talentos.

Isso tudo pode acarretar funcionários DESMOTIVADOS, pois sabemos que a motivação depende de indivíduo para indivíduo. Sabemos também que Maslow defendia que era preciso suprir as necessidades básicas do ser humano, pois só assim ele poderia alcançar a motivação. Ele defendia as classes de necessidades que estão organizadas, segundo os níveis de uma hierarquia.

Vamos deixar um pouco a teoria de Maslow de lado e seguir em frente. Quem na realidade vai lidar com toda essa DESMOTIVAÇÂO? O cliente externo/interno e o fornecedor, lógico. E quem não ouviu falar que o melhor comercial é aquele realizado "de boca em boca". Falo para algum conhecido que o serviço ou produto "X" de uma empresa é ótimo ou excelente, e são exatamente o cliente e o fornecedor que irão levar uma imagem agradável ou desagradável, ajudando no sucesso ou no fracasso de uma organização.

James C. Hunter em seu livro "O Monge e o Executivo", cita que as organizações ainda estão usando velhos paradigmas na nova administração de hoje. Ele faz uma analogia do estilo piramidal de administração que é um conceito herdado de séculos de guerra e dá o exemplo das forças armadas, onde temos o general no topo, com coronéis, seguidos de capitães e tenentes, sargentos e, por último, os soldados que dão frente a frente com o inimigo:

Presidente = General
Vice-presidente = Coronéis
Gerentes intermediários = Capitães e Tenentes
Supervisores = Sargentos
Empregado (colaborador) = Soldados
Cliente = Inimigo


Uma organização que segue este estilo está fadada ao total fracasso na concorrência global em que estamos expostos, pois o novo paradigma é a valorização dos clientes e isso só pode acontecer com os colaboradores satisfeitos e MOTIVADOS, acredito.

Para que o cliente possa estar no topo, será necessário o comprometimento da tão chamada cúpula - citada anteriormente. É interessante também que os colaboradores possam sentir segurança na missão, na visão e nos valores estabelecidos pela empresa e que estes princípios não estejam somente exposto nas paredes da organização, mas com certeza atrelados à proposta de gestão com pessoas, pois os colaboradores só vão vestir a "camisa" tão solicitada pelos seus superiores, quando eles se sentirem valorizados de verdade. É preciso que esses valores sejam demonstrados através de ações.

Porém, o mais importante de tudo isso é a corporação enxergar a realidade e se mobilizar para fazer gestão com pessoas com seriedade, acreditando na inovação e na mudança com sabedoria, transparência, humildade e, é claro, acreditando no que nosso grande educador Paulo Freire também acreditava que nós, seres humanos, estamos sempre em processo de aprendizagem e adaptação, pois todo ser humano conhece alguma coisa e todo ser humano desconhece alguma coisa. Se a corporação é feita de pessoas, logo vamos investir no capital humano, pois o retorno é garantido, principalmente quando existem no quadro da cúpula pessoas com visão sistêmica, foco em resultados, criatividade e atributos de um forte líder.
Boa Sorte! E uma sábia mudança!




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