Patrícia Bispo
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Quando
chega o momento de avaliar os profissionais,
muitas empresas encontram-se diante de num
verdadeiro labirinto, pois nem sempre a organização
utiliza uma metodologia de trabalho adequada
à sua realidade. Por conta disso, não
são raros os casos de colaboradores
que recebem uma avaliação abaixo
do esperado, mesmo tendo se dedicado às
suas atividades com comprometimento e responsabilidade.
Quando chega o momento de avaliar os profissionais,
muitas empresas encontram-se diante de num
verdadeiro labirinto, pois nem sempre a organização
utiliza uma metodologia de trabalho adequada
à sua realidade. Por conta disso, não
são raros os casos de colaboradores
que recebem uma avaliação abaixo
do esperado, mesmo tendo se dedicado às
suas atividades com comprometimento e responsabilidade.
Se isso já pode causar problemas à
Gestão de Pessoas, o que acontece quando
uma empresa utiliza uma metodologia de forma
incorreta? |
E quando algumas ferramentas têm
seus conceitos e objetivos trocados? Isso vem ocorrendo
em determinadas organizações quando
essas se deparam com a avaliação de
competências e a avaliação de
desempenho. "A princípio parecem ser
as mesmas, mas na essência não são
e isso tem gerando um grande problema", afirma
o consultor organizacional Rogerio Leme, que lançará
em agosto próximo, durante a realização
do CONARH, um livro sobre avaliação
de desempenho com foco em competências, pela
Editora Qualitymark. Tecnólogo, consultor
e empresário, Leme afirma que a avaliação
por competências visa o desenvolvimento do
profissional e a avaliação desempenho
tradicional tem como objetivo o resultado.
"A avaliação de desempenho com
foco em competências, visa o futuro, pois
analisando a efetiva entrega do colaborador para
a organização, podemos tomar ações
alinhadas à estratégia da empresa
para atingir sua visão através de
sua missão", ressalta. Em entrevista
concedida ao RH.com.br, Rogerio Leme fala sobre
o diferencial entre a avaliação de
competência e a avaliação de
desempenho e o que cada uma dessas ferramentas possibilita
à Gestão de Pessoas. Aproveite a leitura!
RH.com.br - É comum as pessoas
confundirem avaliação de competências
com avaliação de desempenho?
Rogerio Leme - A princípio
parecem ser as mesmas, mas na essência não
são, e talvez, inconscientemente, muitas
empresas estejam trabalhando com ambas como se fossem
a mesma, gerando um grande problema. Scott B. Parry
traz, por exemplo, a definição de
competências como "um agrupamento de
conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionadas,
que afeta parte considerável da atividade
de alguém, que se relaciona com seu desempenho,
que pode ser medido segundo padrões preestabelecidos,
e que pode ser melhorado por meio de treinamento
e desenvolvimento". Note na definição
o seguinte fragmento: "que se relaciona com
seu desempenho". Isso significa que o CHA -
Conhecimentos, Habilidades e Atitudes - relaciona-se
com o desempenho, mas não que o CHA seja
o desempenho. É neste ponto que está
o problema, pois as empresas estão usando
a avaliação de competências
como avaliação desempenho, e isto
está incorreto.
RH - Qual o diferencial entre essas
duas ferramentas?
Rogerio Leme - Quando se fala em
avaliação de competências o
objetivo é avaliar o conceito do CHA, avaliando,
então, as competências técnicas
e as competências comportamentais do colaborador.
Já quando se avalia o desempenho, o objetivo
é avaliar o que o colaborador efetivamente
entrega para a organização. É
uma visão mais ampla do CHA. Não que
o CHA esteja incorreto, pelo contrário, ele
é parte do processo. Mas é importante
ter cuidado para não utilizar a avaliação
desempenho da forma que foi utilizada até
hoje, olhando o passado ou simplesmente metas e
resultados. É preciso usar o que chamo de
avaliação desempenho com foco em competências,
um conceito que vai além do CHA e analisa
a entrega do colaborador para a organização.
Dessa forma, podemos utilizar a ferramenta com foco
no futuro.
RH - A avaliação
de competências pode ser usada como "complemento"
avaliação desempenho?
Rogerio Leme - No conceito amplo
deve ser utilizada a avaliação desempenho
com foco em competências que, por sua vez,
é composto da avaliação de
quatro perspectivas básicas do desempenho:
técnica, comportamental, resultados e complexidade.
Dessas perspectivas deve ser gerado o coeficiente
de desempenho do colaborador, que representa efetivamente
a entrega do colaborador e é a base sólida
para a remuneração por competências.
A essas quatro perspectivas da avaliação
desempenho, outras podem ser utilizadas, abrangendo
questões pontuais e necessárias para
a organização, como a perspectiva
da responsabilidade social e ambiental.
RH - Quem deve conduzir a aplicação
dessas duas ferramentas é apenas o profissional
de RH?
Rogerio Leme - O RH tem papel fundamental
nesse processo, porém é necessário
ser um RH estratégico que auxilie na condução
do processo junto aos gestores, pois a responsabilidade
do desenvolvimento e do futuro alinhado à
estratégia da empresa é do gestor
e o RH deve auxiliar nessa condução.
RH - A avaliação
de competências tende a se popularizar em
médio prazo?
Rogerio Leme - Para as empresas
que quiserem sobreviver no mercado globalizado,
elas deverão utilizar a avaliação
por competências. Porém, as empresas
que quiserem ir além da sobrevivência
e desejarem atingir a continuidade do negócio
alinhado à estratégia da empresa precisarão
implantar a avaliação desempenho com
foco em competências. Toda empresa precisa
ter um planejamento estratégico. E como se
fala no mercado, a empresa é composta de
seus colaboradores, portanto, precisamos ter uma
ferramenta que alinhe o colaborador à estratégia
da empresa e o colaborador, por sua vez, precisa
ter seu desempenho mensurado de acordo com essa
estratégia. Isso quem possibilita é
a avaliação desempenho com foco em
competências.
RH - Quais as vantagens de se aplicar
a avaliação de desempenho aliada à
avaliação de competência?
Rogerio Leme - O maior vantagem
é conseguir visualizar o que efetivamente
o colaborador é para a empresa, ou seja,
o que ele efetivamente entrega para a empresa. É
isso que realmente ele vale. Portando, do lado da
empresa, é a possibilidade ímpar de
identificar o efetivo valor do colaborador.
RH - Quais os benefícios
que essa "associação" de
avaliações traz especificamente para
os colaboradores?
Rogerio Leme - Do lado do colaborador
é a possibilidade de ver com critérios
e forma lógica o verdadeiro resultado de
seu esforço. É a possibilidade da
justa avaliação, onde ele não
fica nem sub nem tão pouco super avaliado
por um destaque que ele tenha ou não. A avaliação
desempenho com foco em competências permite
a extração e a mensuração
da realidade, gerando argumentos e base científica
e matemática dos caminhos corretos e serenos
para a remuneração coerente com o
quanto o colaborador vale ou representa através
de sua entrega, ou seja, a remuneração
por competências.