NETWORKING – Uma reflexão sobre o livro de José Augusto Minarelli
 
27 de Julho de 2006.     
 



Por Michele Bueno- Consultora de Recursos Humanos

“Nos Estados Unidos, entre 70% e 80% das novas colocações profissionais são encontradas por meio de networking e no Brasil, este número é de 50%”.

O autor do livro Networking, José Augusto Minarelli, tem como objetivo explicar as técnicas do networking na busca de recolocação, e compartilhar o conceito de netliving. A matéria-prima do networking é a informação obtida em cada contato com o outro. E o netliving, como a arte de conviver.

Vamos refletir sobre nossa rede de relacionamentos: atualmente temos bons contatos? Se você desejasse mudar de emprego ou saber sobre o melhor campo de trabalho, você teria com quem contatar? Se sua resposta for positiva, aprenda a reforçar ainda mais estes contatos, caso não seja, aprenda a como realizar um bom Networking.

Inicialmente, precisamos conhecer nosso mercado de trabalho, para poder entender as técnicas de um bom contato. Com o processo de globalização, as empresas tem se tornado mais competitivas entre si em termos mundiais e são forçadas a tornar-se mais enxutas e cada vez mais exigentes em relação ao desemprego de sua equipe de profissionais. Sabemos da nossa realidade, tanto da exigência de línguas, cursos e nível de escolaridade. Esse processo, acaba impulsionando as pequenas e médias empresas a também se adequarem as estas exigências.

Havia entre empregador e empregados um espécie de compromisso, de acordo tácito, que envolvia a troca de segurança por fidelidade. Em conseqüência disso, as demissões só eram cogitadas em último caso. Era comum, naquela época, encontrar profissionais com vinte ou trinta anos de carreira numa única empresa. Hoje isso praticamente não existe, pois, o ciclo de carreira estão mais curtos. Podemos perceber a inserção de pessoas cada vez mais jovens assumindo cargos de coordenação.

Todo esse contexto externo e interno fez com que as empresas acabassem por banalizar a prática de demitir. Não se trata somente das demissões de grupos de funcionários por causa de processos de reestruturação de negócios – sempre traumáticas, mas muitas vezes inevitáveis em nome da competitividade, da produtividade e da eficiência. Torna-se algo prático e muito fácil, se uma área dentro da organização não estiver dando certo, demite-se os responsáveis ou a equipe. Mas será esta a solução? Em suma, as demissões estão mais presentes e freqüentes na vida das empresas e dos empregados.

O mercado de trabalho está realmente muito mais competitivo, exigente e excludente, resultando em menos vagas e mais competição, quem estava habituado a ser alvo da “caça” de headhunters agora tem de tornar-se “caçador”. Não somos mais tão desejados pelo mercado, precisamos nos mostrar mais e sermos diferenciais neste momento de competitividade.
Soma-se também o fato de que hoje a formação acadêmica e a capacitação técnica de todos eles são bem mais superiores do que na década passada. Hoje ter um MBA continua sendo um diferencial, mas, como várias faculdades brasileiras adotaram esses programas acadêmicos, os profissionais de seleção também têm postura mais cautelosa: querem saber antes em que universidade e em quanto tempo o candidato concluiu o curso.

Portanto, o funcionário deixa de ser um diferencial, menos decisivo e importante ele se torna, justamente porque deixa de ser diferencial e o mercado se aproveita desta competitividade.

As empresas acabam moldando um perfil padrão, como se existisse pessoas “formatadas” para o sucesso. Quando esse apego ao conservadorismo se transforma em preconceito, estimula a exclusão de candidatos com base na cor, raça, idade e em deficiências físicas, entre outros fatores. Por isso, torna-se ainda mais necessário cultivar seus relacionamentos e empregabilidade, para não ser tanto afetado por estes moldes.

Atualmente, não basta mais ser competente, é fundamental que o profissional saiba manter suas condições de empregabilidade, que é nossa rede de proteção. Uma carreira deve ser construída com foco e atitudes pró-ativas, mas sempre podem ocorrer circunstâncias imponderáveis que conduzam ao desemprego. Esse período de dificuldades, no entanto, será mais curto e causará menos impacto se, ao longo da vida, o profissional souber manter-se “empregável”. E a ferramenta mais importante é o networking, nossa rede de relacionamentos humanos é agora a ferramenta mais eficaz para proporcionar aos profissionais acesso a informações e a oportunidades no mercado de trabalho.

As oportunidades de trabalho existem, e concentram-se nas organizações de menor porte (micros, pequenas e médias), por serem as empresas emergentes, no entanto, esses novos empregos estão pulverizados, o que dificulta sua busca. As oportunidades estão no mercado, mas muitas vezes, invisíveis, e a solução para poder chegar até elas, é o networking.
Portanto, é sua rede de relacionamentos que poderá mantê-lo informado sobre as oportunidades do mercado de trabalho. São os amigos e conhecidos que lhe trarão informações sobre as vagas existentes tanto nas grandes organizações quanto nas pequenas e médias empresas. Além disso, essa rede também poderá mostrar-lhe a hora e a vez de montar negócio próprio e obter os primeiros contratos.

Mas preste atenção: sua rede de relacionamentos pode oferecer-lhe ajuda, informação, solidariedade e flexibilidade, mas não garantirá privilégios. O QI (quem indicou) tem cada vez mais valor, mas não substitui os quocientes QE (experiência), QT (técnica) e QM (moral). Sem competência, ninguém se estabelece: esse continua sendo uma das verdades imutáveis do mercado de trabalho.




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