Por Michele Bueno- Consultora
de Recursos Humanos
“Nos Estados Unidos, entre
70% e 80% das novas colocações profissionais
são encontradas por meio de networking e
no Brasil, este número é de 50%”.
O autor do livro Networking, José Augusto
Minarelli, tem como objetivo explicar as técnicas
do networking na busca de recolocação,
e compartilhar o conceito de netliving. A matéria-prima
do networking é a informação
obtida em cada contato com o outro. E o netliving,
como a arte de conviver.
Vamos refletir sobre nossa rede de relacionamentos:
atualmente temos bons contatos? Se você desejasse
mudar de emprego ou saber sobre o melhor campo de
trabalho, você teria com quem contatar? Se
sua resposta for positiva, aprenda a reforçar
ainda mais estes contatos, caso não seja,
aprenda a como realizar um bom Networking.
Inicialmente, precisamos conhecer nosso mercado
de trabalho, para poder entender as técnicas
de um bom contato. Com o processo de globalização,
as empresas tem se tornado mais competitivas entre
si em termos mundiais e são forçadas
a tornar-se mais enxutas e cada vez mais exigentes
em relação ao desemprego de sua equipe
de profissionais. Sabemos da nossa realidade, tanto
da exigência de línguas, cursos e nível
de escolaridade. Esse processo, acaba impulsionando
as pequenas e médias empresas a também
se adequarem as estas exigências.
Havia entre empregador e empregados um espécie
de compromisso, de acordo tácito, que envolvia
a troca de segurança por fidelidade. Em conseqüência
disso, as demissões só eram cogitadas
em último caso. Era comum, naquela época,
encontrar profissionais com vinte ou trinta anos
de carreira numa única empresa. Hoje isso
praticamente não existe, pois, o ciclo de
carreira estão mais curtos. Podemos perceber
a inserção de pessoas cada vez mais
jovens assumindo cargos de coordenação.
Todo esse contexto externo e interno fez com que
as empresas acabassem por banalizar a prática
de demitir. Não se trata somente das demissões
de grupos de funcionários por causa de processos
de reestruturação de negócios
– sempre traumáticas, mas muitas vezes
inevitáveis em nome da competitividade, da
produtividade e da eficiência. Torna-se algo
prático e muito fácil, se uma área
dentro da organização não estiver
dando certo, demite-se os responsáveis ou
a equipe. Mas será esta a solução?
Em suma, as demissões estão mais presentes
e freqüentes na vida das empresas e dos empregados.
O mercado de trabalho está realmente muito
mais competitivo, exigente e excludente, resultando
em menos vagas e mais competição,
quem estava habituado a ser alvo da “caça”
de headhunters agora tem de tornar-se “caçador”.
Não somos mais tão desejados pelo
mercado, precisamos nos mostrar mais e sermos diferenciais
neste momento de competitividade.
Soma-se também o fato de que hoje a formação
acadêmica e a capacitação técnica
de todos eles são bem mais superiores do
que na década passada. Hoje ter um MBA continua
sendo um diferencial, mas, como várias faculdades
brasileiras adotaram esses programas acadêmicos,
os profissionais de seleção também
têm postura mais cautelosa: querem saber antes
em que universidade e em quanto tempo o candidato
concluiu o curso.
Portanto, o funcionário deixa de ser um diferencial,
menos decisivo e importante ele se torna, justamente
porque deixa de ser diferencial e o mercado se aproveita
desta competitividade.
As empresas acabam moldando um perfil padrão,
como se existisse pessoas “formatadas”
para o sucesso. Quando esse apego ao conservadorismo
se transforma em preconceito, estimula a exclusão
de candidatos com base na cor, raça, idade
e em deficiências físicas, entre outros
fatores. Por isso, torna-se ainda mais necessário
cultivar seus relacionamentos e empregabilidade,
para não ser tanto afetado por estes moldes.
Atualmente, não basta mais ser competente,
é fundamental que o profissional saiba manter
suas condições de empregabilidade,
que é nossa rede de proteção.
Uma carreira deve ser construída com foco
e atitudes pró-ativas, mas sempre podem ocorrer
circunstâncias imponderáveis que conduzam
ao desemprego. Esse período de dificuldades,
no entanto, será mais curto e causará
menos impacto se, ao longo da vida, o profissional
souber manter-se “empregável”.
E a ferramenta mais importante é o networking,
nossa rede de relacionamentos humanos é agora
a ferramenta mais eficaz para proporcionar aos profissionais
acesso a informações e a oportunidades
no mercado de trabalho.
As oportunidades de trabalho existem, e concentram-se
nas organizações de menor porte (micros,
pequenas e médias), por serem as empresas
emergentes, no entanto, esses novos empregos estão
pulverizados, o que dificulta sua busca. As oportunidades
estão no mercado, mas muitas vezes, invisíveis,
e a solução para poder chegar até
elas, é o networking.
Portanto, é sua rede de relacionamentos que
poderá mantê-lo informado sobre as
oportunidades do mercado de trabalho. São
os amigos e conhecidos que lhe trarão informações
sobre as vagas existentes tanto nas grandes organizações
quanto nas pequenas e médias empresas. Além
disso, essa rede também poderá mostrar-lhe
a hora e a vez de montar negócio próprio
e obter os primeiros contratos.
Mas preste atenção: sua rede de relacionamentos
pode oferecer-lhe ajuda, informação,
solidariedade e flexibilidade, mas não garantirá
privilégios. O QI (quem indicou) tem cada
vez mais valor, mas não substitui os quocientes
QE (experiência), QT (técnica) e QM
(moral). Sem competência, ninguém se
estabelece: esse continua sendo uma das verdades
imutáveis do mercado de trabalho.