Edson Lobo
Encontramos nos jornais, revistas e sites,
notícias a respeito do vai e vem dos profissionais
nas empresas. Ou seja, matérias apresentando
os sucessos de alguns executivos e, às vezes,
executivos revelando sua versão dos fatos,
caso estejam deixando as respectivas empresas.
Se repararmos, as alegações quase
sempre são: a falta de investimentos da matriz
ou os controladores das empresas; o fato do profissional
não vislumbrar mais um crescimento na carreira;
falta de novos desafios; um convite recebido para
atuar em outra organização; motivos
familiares; que o desligado vai dedicar-se a uma
pousada e assim vai.
No entanto, há um componente perverso nessas
notícias - elas nem sempre correspondem à
verdade!
Vou citar um exemplo. Uma empresa multinacional
demitiu sua presidente. Porém, os dirigentes
não haviam sequer ajustado o processo demissional,
já que era inédito demitir alguém
da presidência naquela organização.
Ainda estavam solicitando as autorizações
com a matriz, quando se publicou na Imprensa uma
matéria dizendo que a tal pessoa estava "deixando
a empresa para novos desafios!".
Ela foi afastada na quarta-feira e a notícia
saiu no domingo, nos principais cadernos de empregos
e revistas. A profissional demitida assumiu a presidência
de outra empresa e durante seu curto mandato a companhia
perdeu quase 50% do mercado. Foi novamente demitida
e outra notícia sobre o afastamento: "por
motivos pessoais", nos mesmos moldes.
Recentemente, essa executiva assumiu a presidência
de outra empresa, teve um breve mandato e foi demitida.
Porém, desta vez, não houve notícia
nos jornais e nas revistas.
Cito ainda um outro caso. Um diretor de uma multinacional
foi afastado por desvios de verba e utilização
indevida de bens da empresa. Devido às ameaças
que ele fez contra a empresa, foi firmado um acordo.
Na ocasião, anunciou-se que "tal fulano"
deixava a empresa "para tocar negócios
da família". Ele sumiu do mercado, por
cerca de cinco anos e apareceu na alta direção
de uma empresa multinacional, num cargo de altíssima
confiança.
Pergunto: onde está o erro nesses exemplos,
nesses fatos?
A resposta é clara: valoriza-se a imagem,
acredita-se no teor do currículo, aceita-se
a excelente postura numa entrevista, concorda-se
com influências de relacionamento, confia-se
nas versões dadas nas entrevistas e não
se realiza uma pesquisa a fundo para saber quem
é realmente aquele profissional.
Com o avanço tecnológico, há
inúmeras formas de checagem a respeito de
um candidato. Pelo lado formal, há o SPC
(Serviço de Proteção ao Crédito),
a Serasa, as polícias, a justiça,
telefonemas que podem ser feitos para as empresas
citadas no currículo do candidato etc. Pelo
lado informal a, pode-se conhecer uma pessoa através
do Google, do Yahoo, de outros sites de busca, do
Orkut e sites de relacionamento. Talvez a alternativa
seja recorrer: a um Clipping - sistema especializado
no monitoramento de notícias e informações;
à enciclopédia Wikipédia e
muitas outras formas para se conhecer o comportamento,
a exposição e as opiniões de
qualquer candidato a uma vaga oferecida pela empresa.
O que importa no momento da escolha de um candidato
é a confirmação: das informações
passadas no currículo, da ética, de
que não há exposição
negativa, enfim, nada que no futuro venha comprometer
o nome da empresa contratante. Investigação,
perguntas, levantamentos, comprovações,
tudo isso deve ser feito com muito tato, cuidado
para se comprovar a veracidade.
Isso seria básico, fundamental, o raio-X
da verdade!
A contratação desde um simples colaborador
até o presidente de uma organização
merece uma boa dose de atenção e dedicação,
a fim de evitar a fragilidade dessa situação
e que, num futuro próximo, esse profissional
venha a ser demitido, porque não se fez,
durante o processo de seleção, um
trabalho de pesquisa, de investigação.
É sempre necessária muita cautela
no processo de seleção, para evitar
que milhões de reais ou dólares de
investimento parem no lixo. Afinal, isso também
provoca a desmotivação nos colaboradores.
Com a palavra os profissionais de Recursos Humanos.