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Entrevista
comportamental: revelação de perfil. |
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31
de Agosto de 2006.
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Patrícia Bispo
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Quando
se inicia um processo seletivo, o profissional
de RH logo procura identificar que tipo de
perfil o futuro profissional contratado deve
ter, para atender às necessidades do
cargo a ser ocupado. Nesse caso, busca-se
saber quais as competências técnicas
que o indivíduo deve trazer na sua
"bagagem" profissional. No entanto
esse é apenas um lado da moeda, uma
vez que hoje as competências comportamentais
também são levadas em consideração
no momento em que o processo de seleção
é iniciado. Dentre as ferramentas que
auxiliam a identificar o perfil do candidato,
encontra-se a entrevista comportamental. Essa
ferramenta, quando bem utilizada, minimizar
subjetividades, foca o questionamento em aspectos
relevantes e desejados para a função
e otimiza a análise entre candidatos
à mesma posição, através
do critério de pesos para cada competência.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, Adriana
Gomes, psicóloga e consultora de carreira,
afirma que esse tipo de entrevista permite,
ainda, identificar competências que
precisam ser desenvolvidas com maior objetividade,
bem como a melhor adequação
da pessoa ao cargo em questão. "Inicialmente
é mais trabalhosa, pois haverá
necessidade de descrever detalhadamente os
conhecimentos, as habilidades e as atitudes
esperadas de cada posição. Entretanto,
as vantagens após essa etapa, são
muito grandes", complementa. Confira
a entrevista na íntegra e aproveite
a leitura! |
RH.com.br - Qual o objetivo da entrevista
comportamental?
Adriana Gomes - Esse método
busca, essencialmente, verificar no repertório
do candidato, as situações vividas
por ele que sejam próximas, similares às
que ele provavelmente viverá na posição
para a qual será contratado. A estrutura
desse tipo de entrevista evita que ele crie cenários
que nunca existiram, tornando hipotéticas
soluções para as quais ele nunca vivenciou.
Acredita-se que o candidato buscará aplicar
soluções semelhantes para situações
semelhantes. Com base em experiências já
vividas e soluções já apresentadas
em situações análogas, pode-se
dizer que, se ele resolveu assim uma vez, tenderá
a agir da mesma maneira em situações
próximas a essas. Tratando-se de pessoas
isto não é uma garantia, mas as chances
de que assim ocorra é muito grande.
RH - Em que situações
a entrevista comportamental deve ser utilizada?
Adriana Gomes - A entrevista comportamental
pode ser aplicada em qualquer processo seletivo.
Com suas bases bem definidas, ou seja, a identificação
das competências necessárias e desejadas
para cada cargo, o planejamento antecipado das questões
com o objetivo de identificar tais competências
podem se tornar uma ferramenta que auxilia o entrevistador.
Auxilia no sentido de direcionar melhor o enfoque
sobre questões relevantes ao cargo ou funções,
bem como em relação às responsabilidades
que serão exercidas pelo futuro contratado.
Visa minimizar as subjetividades que são,
também, um dos grandes desafios da área
de RH.
RH - O que é necessário
para que uma entrevista comportamental seja conduzida
com sucesso?
Adriana Gomes - Para a realização
de uma boa entrevista comportamental é necessário
um prévio estudo das qualificações,
dos conhecimentos técnicos e gerais, das
habilidades e das atitudes que são desejadas
e esperadas do candidato que ocupará a posição.
Sem o perfil das competências, sem o delineamento
das responsabilidades, das habilidades e da abrangência
do cargo todo o processo tende a ficar comprometido
e não são raras as situações
em que o contratante tem apenas uma vaga idéia
do que espera do novo colaborador. O entrevistador
deve preparar-se para a entrevista, elaborando um
questionário com o objetivo de identificar
na história de vida do candidato as competências
desejadas para o cargo. Deve buscar com cada pergunta,
obter respostas que envolvam um contexto, ou seja,
em qual situação determinado acontecimento
ou fato ocorreu, a ação, ou seja,
de que maneira o candidato agiu frente àquela
determinada situação e o resultado,
ou seja, qual foi a solução ou o desfecho
encontrado para a situação em questão.
RH - De que maneira os resultados
da entrevista comportamental devem ser analisados?
Adriana Gomes - O entrevistador
deve sempre levar em consideração
as qualidades do candidato frente à descrição
das competências técnicas, comportamentais
e conceituais exigidas pela posição
em questão. Analisar as atitudes e os conhecimentos
aplicados em situações anteriores,
considerando as expectativas para a posição
em que irá atuar. Deve atribuir peso maior
para competências mais relevantes, essenciais
e menor peso para competências de menor impacto
no desempenho da função e que possam
ser treinadas e desenvolvidas ao longo do tempo.
Com essa tabulação feita, fica mais
fácil objetivar a análise e realizar
uma comparação entre os candidatos
à mesma posição.
RH - Quem está apto para
conduzir essa ferramenta é apenas o profissional
de RH?
Adriana Gomes - A entrevista de
seleção costuma ser desconfortável
para muitos executivos tanto quanto para quem é
submetido a ela. Não raro, a entrevista torna-se
uma conversa informal sem conexões aparentes
ou se torna tão ríspida e formal que
acaba por não obter o melhor do que essa
importante ferramenta pode oferecer. Em minha opinião,
a entrevista é, ainda, um dos mais importantes
recursos para o sucesso de um processo seletivo.
Para utilizar o método da entrevista comportamental
não precisa ser uma pessoa do RH necessariamente,
mas ela precisa ser treinada para a condução
de uma entrevista com esse enfoque, entendendo por
quais razões as perguntas são elaboradas
dessa maneira e, principalmente, preparar-se para
conduzi-la, levando em consideração
todos os aspectos já mencionados anteriormente.
RH - Que tipo de perguntas devem
ser feitas durante uma entrevista comportamental?
Adriana Gomes - Há algumas
regras para a elaboração das perguntas
visando a adequada utilização desse
tipo de entrevista, lembrando-se que, essas perguntas
têm por objetivo investigar a experiência
passada do candidato. Por isso, devem ser elaboradas
perguntas abertas, específicas, ou seja,
relacionadas aos assuntos que se deseja investigar,
com verbos de ação no passado. Devem
ser planejadas para identificar a presença
ou a ausência das competências requeridas
no candidato através de suas rotinas, atribuições
e realizações. Toda pergunta deve
prever como resposta um contexto, as ações
desempenhadas pelo candidato, demonstrando como
ele aplicou seus conhecimentos e habilidades para
solucionar determinada situação, bem
como o resultado efetivo das ações
empreendidas para esse fim.
RH - A Sra. poderia citar alguns
exemplos de perguntas que podem ser usadas numa
entrevista comportamental?
Adriana Gomes - Claro que sim.
Alguns exemplos de perguntas para entrevista comportamental
são:
* Quais foram as técnicas que você
utilizou com a sua equipe de vendas, num determinado
projeto (especificar melhor em função
do que se deseja observar), e quais foram os resultados
obtidos?
* Descreva uma situação, no seu emprego
anterior, em que você teve um problema com
um de seus colegas e como lidou com isso.
* Relate uma situação na qual, durante
um trabalho em equipe, um dos membros não
participava com a parte dele. Como você se
sentiu e o que fez para resolver a questão?
* Relate uma situação em que um projeto
que você desenvolveu não obteve o resultado
esperado. Como administrou a situação?
RH - O que deve ser evitado durante
a aplicação dessa ferramenta?
Adriana Gomes - O entrevistador
deve evitar todo tipo de perguntas hipotéticas,
sugestivas, indutivas e alternativas visando, desta
maneira, obter o maior número de comportamentos,
atitudes e experiências passadas para exemplificar
cada situação.
RH - Essa ferramenta oferece alguma
"desvantagem"?
Adriana Gomes - Não consigo
identificar uma desvantagem na utilização
desse método, a não ser o envolvimento
inicial para descrição detalhada das
competências para cada cargo. Contudo, acredito
que sem isso não seja possível nem
conduzir uma boa entrevista, mesmo que não
seja comportamental.
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