por Cristiane Mano
A ascensão de grupo de novos empresários
mostra como é possível vencer as
diversas barreiras que desafiam os empreendedores
brasileiros
EXAME É provável
que você nunca tenha ouvido falar nos
quatro homens de negócios retratados
na foto ao lado. E, acredite, isso é ótimo.
Esse quarteto praticamente anônimo é a
mais cristalina representação
da capacidade de renovação do
capitalismo brasileiro. Há menos de
25 anos, um período de tempo quase irrisório
em termos de história, nenhum deles
era dono de empresa -- e suas realidades eram
absolutamente distintas entre si. O paulista
Marcos Ribeiro Leite tinha uma carreira executiva
em ascensão na Credicard. O uruguaio
naturalizado brasileiro Daniel Mendez trabalhava
como garçom em Porto Alegre. O analista
de sistemas José Carlos Semenzato se
sustentava como professor de informática
em Lins, no interior paulista, e o engenheiro
civil Walter Torre Júnior estudava engenharia
na Faculdade Mauá, na Grande São
Paulo, onde era conhecido por fretar ônibus
para transportar os amigos e ganhar um troco
que o ajudasse a pagar a mensalidade. Em pouco
mais de duas décadas, tudo mudou. Cada
um deles abriu seu negócio, o empreendimento
prosperou e hoje os quatro, sem exceção,
alcançaram o patamar de empresários
bem-sucedidos. A companhia que fatura menos
nesse grupo, a Microlins, de Semenzato, tem
uma receita anual de 290 milhões de
reais. A maior, a WTorre, de Walter Torre,
deve faturar 800 milhões de reais neste
ano. Todas crescem a um ritmo de dois dígitos
por ano e, graças ao tamanho alcançado,
poderiam fazer parte da lista das 1 000 maiores
empresas do país, segundo o anuário
Melhores e Maiores, de EXAME. |

Cláudio Rossi |
A história desses homens de negócios
não é um ponto fora da curva ou uma
coleção de conquistas individuais.
Em setores tão diversos como alimentação
e tecnologia, o número de empresários
que conseguem superar adversidades para erguer
grandes negócios chama atenção
e surge como uma evidência do vigor da própria
economia brasileira. Não há estatísticas
que quantifiquem esse universo, mas existem algumas
pistas que dão uma idéia do tamanho
dessa mobilidade. Uma delas é um levantamento
realizado pelo sociólogo José Pastore,
da Universidade de São Paulo. Os dados indicam
que, de cada 100 fortunas brasileiras, apenas 18
devem essa posição a algum tipo de
herança. As demais foram construídas
com o suor dos donos. Outro importante indicador
são as listas de bilionários do mundo.
Há cinco anos, apenas cinco brasileiros
apareciam elencados na revista americana Forbes
-- grande parte deles, banqueiros. Hoje, a maioria
dos 16 empresários brasileiros na lista é de
industriais ou de donos de empresas prestadoras
de serviços, que não herdaram fortunas
e deram saltos expressivos nos últimos anos. É o
caso dos sócios Luiz Seabra e Guilherme
Leal, da fabricante de cosméticos Natura,
e de Elie Horn, fundador da construtora Cyrela.
Isso significa então que o país reúne
condições favoráveis para
os que desejam abrir uma empresa, empreender e
construir um grande negócio? Definitivamente,
não. Há problemas graves e sérios
que comprometem a saúde das companhias brasileiras
-- muitos deles são repetidamente mostrados
nas páginas de EXAME. Mas o que existe é uma
estirpe de homens de negócios que, em algum
momento de sua história, conseguem fazer
com que a inovação supere as velhas
dificuldades que to dos conhecemos. Tem sido assim
na história brasileira. O Pão de
Açúcar, a maior rede de varejo do
país, com 536 lojas e 16 bilhões
de reais de faturamento anual, nasceu há quase
60 anos de uma pequena doceria. O Itaú,
um dos maiores bancos nacionais, foi fundado pelo
filho de um jornalista na década de 20.
Hoje é uma potência que lucra mais
de 4 bilhões de reais ao ano. A boa notícia é que
esse ciclo continua, até aumenta, e os quatro
novos representantes dessa classe, os da foto que
abre a reportagem, são um exemplo disso.
Eles formam o embrião de uma nova geração
de empresários, os homens que ajudam a criar
riqueza e empregos.
Lirio Parisotto,
da Videolar |
Fundação
1988 |
Faturamento em 2005
1,3 bilhão de reais |
É um universo com razoáveis dimen
sões. O consultor Carlos Miranda, um dos
responsáveis pelo prêmio de empreendedor
do ano da Ernst & Young, estima que o grupo
de empresas que saíram do zero e alcançaram
um faturamento superior a 200 milhões de
reais em menos de 25 anos seja de cerca de uma
centena. Entre elas, existem gigantes como o Habib's,
de Alberto Saraiva, que já fatura 800 milhões
de reais por ano, e a fabricante de CDs e DVDs
Videolar, do gaúcho Lirio Parisotto, com
vendas de 1,3 bilhão de reais. Embora cad
a um tenha seguido a própria estratégia
-- e, muitas vezes, o instinto --, é possível
perceber traços comuns nessas trajetórias.
O primeiro deles é uma opção
pelo setor de serviços e de tecnologia.
Boa parte dos representantes dessa riqueza emergente
aproveitou oportunidades que surgiram nessa área,
menos vulnerável à concorrência
dos preços imbatíveis da China, menos
dependente de capital intensivo e mais propenso à inovação.
Esse setor passou de 45% do PIB brasileiro em 1980
para 55% em 2000. Outro ponto em comum -- este
decisivo: todos esses empreendedores exercitaram
um mandamento crucial do mundo dos negócios:
amar o risco sobre todas as coisas. Em muitos momentos,
tiveram de arriscar suas economias e sua capacidade
de trabalho num negócio no qual realmente
acreditavam.
Alberto Saraiva,
do Habib’s |
Fundação
1988 |
Faturamento em 2005
800 milhões de reais |
Tome-se o exemplo de Daniel Mendez, o ex-garçom
de 43 anos, fundador da Gran Sapore, uma empresa
de refeições coletivas. Ele veio
ainda criança do Uruguai e, desde cedo,
trabalhou para ajudar a pagar os estudos em Porto
Alegre. Seu emprego mais duradouro foi servindo
as mesas de um pequeno restaurante montado por
seu pai. Depois de se formar em administração,
Mendez seguiu carreira na gaúcha Puras,
uma das maiores empresas do mercado de refeições
coletivas. Em 1992, resolveu arriscar. Vendeu seu
carro -- um Gol GTi -- e com os 10 000 dólares
que conseguiu abriu o primeiro restaurante da Gran
Sapore numa pequena empresa do interior paulista.
Inspirado no comandante Rolim, o lendário
fundador da TAM, Mendez procurou incorporar detalhes
que diferenciassem seu serviço do da concorrência,
como tapete vermelho estendido na porta dos restaurantes
e nutricionistas que recepcionavam os usuários.
Sacrificar o Golzinho valeu a pena. Atualmente,
a Gran Sapore é a segunda maior empresa
de seu mercado, com vendas de 510 milhões
de reais ao ano. Só perde para a GR, controlada
pelo grupo francês Accor. "É um
problema partilhado por muitos homens de negócios
em início de carreira. Os brasileiros têm
mesmo de se virar com a própria geração
de caixa", diz Paulo Veras, diretor-geral
da ONG de empreendedorismo Endeavor no Brasil.
Marco Stefanini,
da Stefanini |
Fundação
1987 |
Faturamento em 2005
250 milhões de reais |
Uma segunda característica comum à nova
leva de empresários brasileiros é que
boa parte deles procurou oportunidades em mercados
pouco consolidados e com os quais já tivessem
familiaridade. Foi o que aconteceu com o paulista
Walter Torre Júnior, dono da construtora
WTorre. Recém-formado em engenharia civil,
ele começou a carreira erguendo casas de
veraneio no litoral de São Paulo. Torre
Júnior concluiu que não teria muito
futuro como empresário se continuasse nesse
ramo. Depois de breve procura, identificou o surgimento
de um novo segmento. "Era 1981. Na época,
ninguém falava em logística, mas
comecei a ouvir que algumas empresas estavam procurando
galpões de armazenagem para alugar",
diz ele. O diferencial de Torre Júnior foi
construir esses armazéns de acordo com as
necessidades de seus clientes. Num universo em
que os galpões eram apenas fábricas
abandonadas, sem nenhuma estrutura específica
para armazenamento, o empresário começou
a se destacar. Sem dinheiro para montar um escritório,
Torre Júnior comprou um ônibus velho
-- que ele mesmo dirigia -- e fez dele sua base
móvel por três anos. Mas, depois de
fechar contratos com empresas como Multibrás
e Pirelli, o negócio decolou. Seu passo
seguinte foi trazer dos Estados Unidos novas tecnologias
de construção, que reduziam o tempo
da obra. "Não inventei nada. Apenas
tive coragem de copiar o que estava dando certo
lá fora", diz ele. Em sua lista de
obras estão o prédio-sede da Vivo
e quase todas as lojas da rede de supermercados
Carrefour. Os tempos do ônibus andarilho
ficaram definitivamente para trás. A empresa
acaba de inaugurar uma sede própria no bairro
do Morumbi, na zona sul de São Paulo. Na
decoração do prédio de quatro
andares, sofás de couro, vasos de orquídeas
e as frases prediletas do dono escritas em algumas
paredes. Uma delas: "Não há nada
como um sonho para criar o futuro", do francês
Victor Hugo.
Inovação é o motor do surgimento
dos novos empresários. Aqui e no mundo.
E não se trata apenas de criar um iPod,
um produto que revoluciona a empresa e todo o mercado.
Os novos empresários brasileiros despontaram,
basicamente, fazendo coisas velhas de um jeito
novo. José Carlos Semenzato, o dono da Microlins,
a maior rede de ensino profissionalizante do país,
seguiu esse caminho. Aos 38 anos de idade, ele
comanda hoje uma rede de franquias com mais de
300 unidades espalhadas pelo Brasil. Suas escolas
oferecem 40 tipos de curso, que vão desde
cabeleireiro a técnico especializado em
telefonia. Esse pequeno império da educação
levou apenas 15 anos para ser construído
e nasceu exatamente da percepção
do empreendedor. De origem simples (aos 12 anos,
ele vendia na rua salgadinhos que sua mãe
preparava em casa), Semenzato trabalhava como professor
de informática em Lins, no interior de São
Paulo. Como à época os cursos nessa área
começaram a crescer, achou que poderia montar
um negócio voltado para as classes mais
populares. Para construir a primeira unidade, fez
bicos como programador e, com o dinheiro conseguido,
comprou cinco computadores do modelo mais básico
do mercado. Mas seu pulo-do-gato veio com a implementação
de um sistema de franquias para esse tipo de escola. "Era
a única maneira que tínhamos de crescer
rapidamente", diz ele. Em 2005, seu faturamento
alcançou mais de 290 milhões de reais.
Hoje, o empresário pode se dar ao luxo de
colecionar BMWs (tem cinco na garagem) e canetas
Montblanc (40, cada uma delas representando um
bom negócio fechado). Sua próxima
tacada será lançar um curso de alfaiataria
em parceria com o estilista Ricardo Almeida (que,
aliás, assina a maioria de seus ternos).
Mendez precisou vender seu carro para ter dinheiro
para abrir a Gran Sapore. Torre Júnior despachou
de um "ônibus-es critório" por
quase três anos. Semenzato precisou trabalhar
nas horas vagas como programador para conseguir
dinheiro suficiente para adquirir os primeiros
computadores de sua escola. Não há empreendimento
que dê certo sem uma boa dose de esforço
e muita paciência para superar a extensa
lista de problemas que afligem o empreendedor no
Brasil. Sim, eles existem aos borbotões.
Pesquisa realizada neste ano pela consultoria Deloitte
Touche Tohmatsu com 289 empresas brasileiras de
médio e grande porte dá uma idéia
da dimensão do problema. A grande campeã de
reclamações entre os empresários é a
carga tributária. Mais de 90% dos entrevistados
apontaram essa mazela como o principal empecilho
para o desenvolvimento dos negócios no Brasil.
Outro grande vilão é o custo do crédito,
uma situação vivida com freqüência
e apontada por 73% do universo pesquisado. Ainda
constam da lista itens como corrupção
e infra-estrutura precária (veja quadro
na página 26). "As duas primeiras
são as grandes barreiras para as empresas
brasileiras", diz o consultor José Paulo
Rocha, sócio de corporate finance da Deloitte,
que vem estudando o desempenho de empresas com
rápido crescimento no país.
Carga tributária elevada e falta de acesso
ao crédito funcionam para o mundo dos negócios
brasileiro como amarras ao desenvolvimento -- um
peso extra que os empresários brasileiros
são obrigados a carregar nos ombros. Talvez
exatamente por essa razão a capacidade de
renovação de nossos empresários
fique menor diante de economias como a dos Estados
Unidos. É uma competição desigual.
Paulo Veras, o diretor-geral da Endeavor, viajou
recentemente aos Estados Unidos para conhecer o
Google. Ficou impressionado com a facilidade com
que os dois fundadores do negócio, Sergey
Brin e Larry Page, conseguiram o primeiro capital
para iniciar a empresa. Foi na mesa de um restaurante,
com um investidor que nunca os tinha visto antes
e aceitou assinar um cheque no valor de 100 000
dólares, nominal para o Google. A empresa
nem sequer existia formalmente. Poucos dias depois,
a companhia já estava aberta e eles puderam
depositar o cheque. Em apenas sete anos de existência,
o Google tornou-se uma das 20 companhias mais valorizadas
do planeta e bateu a marca dos 100 bilhões
de dólares na bolsa -- um valor superior
ao de empresas tradicionais, como Time Warner,
Coca-Cola e GM. E o Google não é um
exemplo isolado. Existem inúmeros casos
como o da dupla. Antes deles, Michael Dell já tinha
percorrido um percurso parecido. Em apenas 20 anos,
Dell saiu do dormitório da faculdade para
construir um império de 56 bilhões
de dólares de faturamento. Hoje, ele é um
dos cinco homens mais ricos do mundo. Estamos,
evidentemente, muito longe desse estágio.
Assim como estamos longe de economias envelhecidas,
em que empreender simplesmente parece não
valer o esforço. O risco só compensa
quando as oportunidades são evidentes --
e elas o são no Brasil. Prova disso é o
surgimento de companhias novas e, ainda assim,
de desempenho fenomenal, como a Gol, que num espaço
de apenas quatro anos despontou como a vice-líder
do mercado brasileiro de aviação
civil. A família Constantino, principal
acionista da Gol, enxergou um vácuo nesse
mercado e foi capaz de ocupá-lo rapidamente.
Isso é inovação e renovação.
O potencial de renovação da classe
empresarial é fundamental para a geração
de novos empregos, a melhoria da distribuição
de renda e, em última análise, para
o crescimento de toda a nação. Ninguém
descreveu esse processo melhor do que Joseph Schumpeter,
o economista austríaco do século
20. Em resumo, Schumpeter defende que o espírito
empreendedor é um dos fatores essenciais
para aumentar a riqueza de um país e melhorar
as condições de vida de seus cidadãos.
Sociedades em que os níveis de empreendedorismo
vêm decaindo sofrem dramaticamente as conseqüências
desse processo. É o que se observa, por
exemplo, na França. Há anos, os
franceses vêm se acostumando a viver na dependência
de subsídios e vantagens distribuídas
pelo estado. Recentemente, houve uma grande passeata
de estudantes que reivindicavam a manutenção
de um direito trabalhista que, na verdade, onera
o custo de contratação para as empresas.
Boa parte dos que saíram às ruas
não terá emprego justamente por causa
disso. Deve ser por esse motivo que a França
hoje tem menos bilionários que o Brasil
e sua capacidade de gerar novas empresas seja irrisória.
O risco de empreender não vale o esforço.
Nos últimos 20 anos, nenhum grande grupo
empresarial surgiu no país. É o oposto
do que acontece hoje na China. Apesar das limitações
impostas pelo Partido Comunista, uma série
de empreendedores vem conquistando espaço
no país. Na China, calcula-se que sejam
criadas 5000 novas empresas ao ano apenas em Xangai.
O novo mapa da fortuna
|
A quantidade
de bilionários brasileiros vem aumentando
menos do que a de seus pares no grupo dos
BRICs, mas deixou para trás seus
vizinhos sul-americanos |
2001 |
Bilionários
por nacionalidade |
Total da fortuna
(em bilhões de dólares) |
12 |
Chineses(1) |
45 |
13 |
Mexicanos |
34 |
4 |
Indianos |
14 |
8 |
Russos |
12 |
5 |
Brasileiros |
10 |
2 |
Venezuelanos |
10 |
4 |
Argentinos |
5 |
2 |
Chilenos |
3 |
2006 |
Bilionários
por nacionalidade |
Total da fortuna
(em bilhões de dólares) |
32 |
Russos |
173 |
23 |
Indianos |
99 |
25 |
Chineses(1) |
92 |
10 |
Mexicanos |
51 |
16 |
Brasileiros |
33 |
2 |
Venezuelanos |
10 |
2 |
Chilenos |
8 |
1 |
Argentino |
2 |
(1) Inclui
Hong Kong
Fonte: Forbes |
Nesse mundo em que há países em
absoluta expansão de seus níveis
de empreendedorismo e outros em retração,
o Brasil está bem posicionado. Se o país
consegue gerar novos empresários com tantos
entraves, pode-se imaginar o que acontecerá quando
os obstáculos forem reduzidos. Essa nova
geração de empresários, no
entanto, tem desafios muito diferentes do passado.
O principal deles é que esses negócios
nasceram sob o signo da competição
global, na qual o protecionismo do governo -- crucial
para outras gerações -- já não
existe mais.
Será fundamental disputar mercado com gigantes
multinacionais -- dentro e mesmo fora do Brasil.
A Stefanini, uma das maiores prestadores de serviços
de tecnologia do Brasil, está conseguindo
um lugar de destaque nesse jogo. Fundada em 1987
pelo geólogo Marco Stefanini, a empresa
faturou quase 250 milhões de reais no ano
passado -- 15% desse valor vindos de operações
no exterior. Ex-analista de sistemas do Bradesco,
Stefanini já abriu filiais inclusive nos
Estados Unidos, onde só terá de pagar
impostos quando a operação começar
a dar lucro -- uma pequena amostra que explica
a diferença de incentivos para empreendedores
lá e aqui. Neste ano, a empresa inaugurou
uma operação na Índia, um
dos maiores pólos mundiais de terceirização
de serviços de tecnologia. Os escritórios
abertos no exterior não têm luxo.
Em geral, são constituídos inicialmente
por apenas um funcionário, uma espécie
de missionário encarregado de fechar os
primeiros contratos. "Lá fora usamos
o mesmo princípio de só gastar o
que ganhamos", diz Stefanini, de 45 anos.
O segundo desafio para essa nova geração é aprender
a lidar com o cada vez mais efervescente mercado
de capitais -- um aprendizado difícil, que
atualmente está sendo trilhado pelo administrador
Marcos Ribeiro Leite, fundador da processadora
de cartões de crédito CSU. Formado
pela Fundação Getulio Vargas, Leite
construiu uma carreira meteórica na Credicard.
Aos 28 anos de idade, já tinha alçado
o posto de vice-presidente da companhia. Com o
conhecimento e o dinheiro acumulados como executivo,
decidiu abrir sua empresa, em 1992. A senha para
empreender apareceu quando Leite percebeu que havia
uma série de bancos dispostos a ter cartões
de crédito próprios e que demandavam
os serviços de uma administradora independente.
Neste ano, Leite deu a tacada mais ousada desde
o nascimento da empresa: abriu seu capital na Bovespa.
A venda das ações rendeu-lhe 341
milhões de reais -- um valor expressivo,
porém abaixo das estimativas iniciais da
companhia. "Ainda vemos a bolsa como uma alternativa
interessante para captar recursos no médio
e no longo prazo", diz Leite. Para quem começou
há menos de 15 anos, não está nada
mau. Nada mau mesmo.
Os principais problemas
|
Pesquisa(1)
da consultoria Deloitte Touche Tohmatsu
mostra quais as maiores dificuldades encontradas
no ambiente de negócios brasileiro.Veja
quais foram as campeãs de reclamação |
Carga tributária |
93% |
Taxa de juro |
73% |
Corrupção |
70% |
Falta de segurança |
59% |
Baixo nível de educação |
54% |
Infraestrutura precária |
43% |
Má distribuição
de renda |
38% |
Taxa cambial |
20% |
(1) Respostas
com múltipla escolha
Fonte: Deloitte Touche Tohmatsu |