Por Márcia Rocha
Muitas vezes, uma reestruturação pode
fazer você sobrar
Sabe aquela história de mudar paradigmas,
de rever conceitos? Pois é, com a demissão é a
mesma coisa. Sim, porque hoje em dia é preciso
considerar também que demissão nem
sempre tem a ver com incompetência. "Muitas
vezes, é uma questão de reestruturação
e o corte não está necessariamente
relacionado com a performance do profissional",
diz Alcino Therezo Júnior, diretor de Desenvolvimento
Organizacional América Latina da EDS, multinacional
americana de TI. Uma fusão, o fechamento
de uma unidade e -- pronto!! - alguém pode
ficar sobrando.
Alcino comenta que existem basicamente duas maneiras de uma empresa crescer:
aumento do volume dos negócios, por causa do lançamento de novos
produtos e serviços, ou por fusões e aquisições.
No primeiro caso, em que o crescimento é orgânico, pode-se dizer
que as chances de alguém manter seu emprego - se não fizer nenhuma
bobagem, claro --são maiores. Afinal, estão sendo criadas novas
vagas. Agora, em empresas que passaram por uma fusão, por exemplo, o risco
de alguém ficar fora do jogo é sempre maior. Em tese, qualquer
organização pode passar por isso, mas a situação é relativamente
comum em bancos, consultorias, empresas de tecnologia e da indústria farmacêutica."Quando
há espelhamento de cargos, a escolha de quem vai ficar costuma se basear
em quem conhece mais a cultura corporativa e transita melhor entre os outros
executivos", diz Cristina Almeida, diretora da Neo Consulting, consultoria
paulistana especializada em recrutamento de executivos e coaching. E ser eliminado
num processo desses não queima o filme de ninguém. "Um headhunter
sabe exatamente o que aconteceu com o candidato que está entrevistando",
diz Cristina.
Quanto à reação dos outros,
sempre tem o pessoal da turma da intriga e que sente
prazer em fazer comentários do tipo: "mas,
se você era tão bom, por que não
continuou na empresa?". Para eles, Cristina
aconselha dar uma resposta evasiva como: "eu
não era o profissional apropriado para aquele
momento". Só não entre no jogo
de ficar se justificando ou rebatendo o que foi dito,
porque isso não leva a lugar algum. Só serve
para deixá-lo irritado. "E depois, gente
assim geralmente não pode ajudá-lo
no processo de transição de carreira.
Então, não tem importância mesmo",
diz Cristina. É sempre bom lembrar que, nessashoras,
há muitas empresas que bancam programas de
recolocação para seus executivos. Por
isso, é muito conveniente negociar um programa
desses já na contratação. Não,
não se trata de fatalismo. É que, para
ser demitido, basta estar empregado.