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A arte de ser envelhecido pelo mercado... e sobreviver!
 
11 de junho de 2007
 


Edson Lobo


Desde que comecei a trabalhar, aos 15 anos, uma frase dita por um dos meus primeiros chefes serviu como um guia para minha vida profissional. Essa pessoa dizia que um excelente profissional deveria estudar, pesquisar, ser curioso (se alguém me mostrasse um papel, que eu sempre olhasse também o verso, virasse de ponta cabeça etc.) e nunca achasse que sabia profundamente de algo porque, no dia seguinte, aquilo já seria diferente, teria mudado.

Seguindo estas premissas, estudei, pesquisei, fiz cursos, viajei,mudei diversas vezes de emprego, trabalhei em vários segmentos do mercado e ocupei diferentes posições na hierarquia empresarial, sempre com o pensamento de melhorar os conhecimentos e a performance profissional, buscando oferecer aos meus contratantes qualidade, ética, criatividade, desempenho e o tão esperado retorno financeiro.

Uma enorme surpresa foi chegar aos 50 anos e constatar que, apesar da grande experiência adquirida, hoje um profissional, obtendo excelentes resultados para a empresa onde trabalha e com uma performance profissional de alto gabarito, se por qualquer motivo, um dia deixar este cargo na empresa em que trabalha, na mesma noite já é considerado velho para o mercado.

Aliás, a palavra "mercado" vem sendo profundamente analisada por muitos profissionais em função de ditar normas obscuras, as quais nem sempre coincidem com a verdade e com a realidade. Num passado recente, tivemos o exemplo das eleições, do sobe e desce do dólar, das mudanças no panorama político-social, enfim, o mercado dita e nós seguimos.
Mas quem é o tal"mercado"?

Numa empresa, sabemos que existem diversas normas não-escritas, sempre precedidas da frase "Nós sempre fizemos assim" ou "O presidente disse para ser feito assim", mas o presidente sequer tem ciência de que algo acontece por este motivo. Em função dessas normas não-escritas no mercado, um profissional que chega aos 40 anos de idade começa a ficar preocupado com a sua situação. Pior ainda para os que atingem os 50 anos, pois teoricamente, morrem para o "mercado", caso deixem seus empregos atuais.

Minha dúvida está voltada unicamente para uma pergunta: quem será o responsável por esta visão altamente distorcida? Por que um profissional com mais de 50 anos não serve para ocupar um cargo executivo dentro de uma empresa e, no entanto, quando é contratado como consultor, é ouvido com respeito e suas proposições são aceitas? Que distorção é essa? Qual será o problema que impede a contratação destes profissionais?

Assim como eu, vários profissionais não conseguiram retornar para empresas porque atingiram 50 anos, apesar da experiência comprovada, qualidade, ética, performance, cases de sucesso, provas concretas de realizações atuais que mudaram hábitos de consumo, pensamentos etc.

Seriam os cabelos brancos? O plano de saúde que custa mais caro? Os vícios profissionais? Ah, talvez seja porque não conseguem mais ter a mobilidade necessária para a maratona de reuniões, convenções, visitas aos clientes, fornecedores, compromissos profissionais do dia-a-dia, viagens etc. Não agüentariam o tranco diário exaustivo, ainda mais com todas as dificuldades do mercado atual.

Quem criou e passou essa visão para o "mercado"? Os profissionais de Recursos Humanos? Os dirigentes das empresas? Outros executivos de linha? Quem é o responsável por usar esse critério na hora de uma seleção?

Pois fiquem sabendo que tudo isso e muito mais é exigido dos profissionais que hoje estão fora das empresas e, exceto aqueles que desanimaram ou mesmo se aposentaram e desistiram de trabalhar, a sobrevivência "aqui fora" obriga qualquer um a encarar as dificuldades, ter maior criatividade e em muitos casos, ficar assistindo que quem está empregado nem sempre está adequado ou preparado para exercer determinadas funções.

Os profissionais com mais de 50 anos ainda estão vivos e são excelentes profissionais. Podem ser taxados de workaholics, yuppies, zen, peritos em qualidade de vida, pois já passaram por toda esta roupagem ditada pela moda, em vários momentos. Trabalham 14 horas por dia e com ou sem remédio para a pressão alta, estão prontos para os novos desafios.

Posso garantir que muitas empresas conseguiriam outros resultados, se deixassem de lado esse preconceito idiota e buscassem no mercado os profissionais com experiência e performance, para resolver inúmeros problemas pelos quais as empresas sofrem nessa concorrência do mercado cruel, que não aceita desaforos nem tentativas.

 




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