Quando olham para si mesmas, as executivas brasileiras gostam um bocado do que vêem. Elas se têm na conta de profissionais "prestativas" e "multifuncionais", detectou a consultoria Caliper Estratégias Humanas, de Curitiba, a partir de uma pesquisa com 66 executivas de diversas companhias brasileiras e multinacionais. O estudo, intitulado "Como as mulheres estão redefinindo a liderança", contou com a aplicação de testes de personalidade e entrevistas individuais com mulheres que ocupam os cargos de presidente, vice-presidente e diretora. Embora tenham chegado ao topo, boa parte das executivas (42%) citaram a pressão que ainda sentem para provar sua competência e, assim, fazer frente aos executivos no ambiente de trabalho. O pior é que não se pode reduzir as dificuldades delas ao predomínio de uma certa visão masculina. "Além de enfrentar o preconceito de gênero, as executivas ainda mencionaram a competição interna entre as próprias mulheres no trabalho como um percalço para a carreira", frisa o presidente da Caliper, José Geraldo Recchia. Outro obstáculo relatado por 13% das entrevistadas é a discriminação dirigida às mulheres que, ainda jovens, assumem cargos de liderança. Duas características muito presentes na autoavaliação das executivas são "preocupar-se com o bem-estar dos comandados", traço assinalado por 25% das entrevistadas, e saber administrar inúmeras atividades simultaneamente, opinião de 15% delas. "As mulheres adotam um estilo maternal na gestão e o homem pensa mais em si mesmo", ilustra Recchia.
Fonte: Revista Amanhã