Quando é impossível agradar

 
08 de Julho de 2008
 

Luiz Marins


Muitas empresas, que fazem pesquisas de clima organizacional, têm observado que os funcionários se dizem sempre insatisfeitos, apesar de todos os benefícios e condições oferecidos pela empresa. Parece haver uma consciência ingênua de que seja possível haver algum emprego sem cobrança por resultados, ou pressão de tempo para atender as exigências de clientes. Há mesmo situações em que reclamar parece ter se tornado uma segunda natureza dos colaboradores. Reclamam de tudo. Se recebem dois salários de bônus, acham-se merecedores de cinco. O refeitório é ruim, o café não é dos melhores, o ar condicionado faz muito barulho, o chefe pressiona muito, os prazos são muito exíguos, os padrões muito rígidos, o uniforme muito feio, etc., etc.

A lista de reclamações parece interminável. O que tenho dito a essas empresas é que está realmente faltando "motivação" aos colaboradores. E por "motivação", quero dizer, fazer os colaboradores entenderem os "motivos" da sociedade competitiva em que vivemos. Nunca tivemos tantos concorrentes, com qualidade semelhante e preços similares. A empresa que não fizer uma diferença, em atendimento, produtos e serviços, que o cliente valorize e pague, estará fora do mercado em poucos meses. Infelizmente, empresa não é lugar de descanso e lazer. É lugar de trabalho. Sem entender essa "motivação", os colaboradores desenvolvem uma consciência ingênua de que no trabalho não deve haver pressão, cobranças, exigências, cumprimento rígido de padrões, normas e procedimentos. Quero deixar bem claro que não estou advogando que a empresa não deva dar benefícios e condições dignas de emprego e conforto aos seus colaboradores. O que estou dizendo é que os funcionários não têm reconhecido o esforço da empresa nessa direção e reclamam sistematicamente, sem atentar para a realidade da própria empresa, das exigências dos acionistas e da concorrência acirrada em que vivemos.

Sei, desde já, que receberei dezenas de mensagens iradas de funcionários dizendo que eu protejo a empresa e os patrões em meus textos e nunca vejo o lado do empregado, do funcionário, do colaborador oprimido e explorado.

Minha resposta a essas pessoas é que, se não suportam mais seus empregos, peçam demissão, pois afinal o emprego não é uma pena a ser cumprida nem foram a ele condenados os atuais empregados.  

Ao buscarem outro emprego verão como o mercado de trabalho não é fácil e talvez descubram que a empresa que deixaram não era tão ruim assim.

Pense nisso. Sucesso!

 

 
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