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Jerônimo Mendes
Algumas afirmativas que circulam pelo mundo corporativo são dignas de reflexão: você precisa crescer; você pode mais; pense grande; você merece mais; desperte o líder que existe dentro de você; mude enquanto é tempo; acredite no seu potencial, e assim por diante. De fato, não conheço ninguém que tenha iniciado a carreira como aprendiz ou estagiário e tenha permanecido feliz no mesmo cargo por mais de um ou dois anos - embora existam pessoas que não moveriam uma palha sequer apenas para não ter que sair da zona de conforto.
Naturalmente, o ser humano é movido pela necessidade de crescimento pessoal e profissional e, consequentemente, pela condição inequívoca de ganhar mais dinheiro, na medida em que suas despesas e necessidades crescem. Quanto mais você ganha, mais precisa ganhar por conta das suas necessidades ilimitadas, além da percepção equivocada de que, quanto mais dinheiro você tem, mais bem-sucedido ou inteligente você é.
Apesar de tudo, ainda que o objetivo principal na vida não seja ganhar dinheiro, você vai precisar dele para as coisas mais básicas, tais como alimentação, moradia e vestuário. Como vivemos em estado permanente de crescimento e de mudança, independentemente da fase profissional alcançada e da quantidade de dinheiro amealhada, temos dificuldade para responder a uma pergunta crucial que nos atormenta todos os dias: o dinheiro ou a vida?
A grande ilusão do mundo corporativo é acreditar que existe espaço para todos crescerem, ganharem mais e galgarem posições melhores na empresa onde trabalham. A maioria das companhias têm apenas um presidente, poucos gerentes, alguns especialistas e coordenadores e, na sua grande maioria, milhares de bons soldados dispostos a dar o sangue pela empresa, outros nem tanto.
Ganhar mais, crescer profissionalmente e aspirar a um modo de vida melhor são desejos e direitos legítimos do ser humano. Entretanto, a obsessão pelo dinheiro, cargo ou status é algo doentio que acaba de maneira tragicômica para muitos profissionais. Quanto mais você trabalha e mais depende do salário, mais escravo você se torna da sua própria ganância.
Enquanto a necessidade de ganhar dinheiro for incontrolável, talvez você nem se dê conta dos males incorporados inadvertidamente na sua vida. Você estará dividido entre duas preocupações que farão enorme diferença daqui a alguns anos:
1) a sua qualidade de vida;
2) como fazer para não gastar todo o seu dinheiro no tratamento de doenças que comprometeram sua saúde e sua energia enquanto você ganhava dinheiro.
O fato é que a simples vontade de satisfazer nossos desejos de consumo, apesar de legítima, tende a arrebentar com a nossa conta bancária financeira e emocional. Além disso torna a vida impraticável, considerando a crescente imposição do ego para que adquiramos cada vez mais coisas e mais coisas sem as quais nós podemos viver tranquilamente.
Ganhar dinheiro é bom, gastar é melhor ainda e, lamentavelmente, para muitos, o dinheiro é tudo. Quando você estiver desencontrado e imaginar que o dinheiro é a única salvação, lembre-se de que existem coisas que o dinheiro não compra. As sábias palavras de Joseph Campell, autor de "O Poder do Mito", encerram a nossa lição da semana: "A vida é uma grande escada corporativa. Depressão é quando você chegar ao final e nota que escada está encostada na parede errada". Pense nisso e seja feliz!
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